06 de janeiro de 2009

Produo industrial em novembro tem maior queda desde maio de 1995, diz IBGE

A produção industrial do país caiu pelo segundo mês consecutivo e teve desaceleração de 5,2% em novembro frente ao mês anterior, informou nesta terça-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Trata-se da maior queda desde maio de 1995. Em outubro, a queda foi de 2,8% (antes da revisão, era 1,7%). Nesses dois meses, a queda acumulada é de 7,9%.

Em relação a novembro do ano passado, foi verificada queda de 6,2%, interrompendo um ciclo de 28 altas consecutivas nesse dado comparativo --é a maior queda desde dezembro de 2001 (-6,4%).

No acumulado dos últimos 12 meses, a produção industrial tem crescimento de 4,8%. No ano, a indústria tem incremento de 4,7%, em relação ao verificado de janeiro a novembro de 2007.

A Pesquisa Industrial Mensal demonstra que houve recuo na produção em 21 dos 27 ramos pesquisados em novembro, na comparação com o mês anterior. A principal influência veio da indústria automobilística, cuja produção caiu 22,6%. Também apresentaram queda os setores de máquinas e equipamentos (-11,9%), edição e impressão (-14,8%), indústrias extrativas (-10,9%) e metalurgia básica (-10,2%).

Entre as categorias de uso, os bens de consumo duráveis registraram a maior queda desde dezembro de 1997, com redução de 20,4%. A produção de bens de capital despencou 4%. Bens intermediários (-3,9%) e bens de consumo semi e não-duráveis (-0,7%) acompanharam a tendência negativa da indústria. A produção de bens intermediários acumula perda de 9,6% entre julho e novembro.

Na comparação com novembro do ano passado, houve incremento da produção em 22 das 27 atividades analisadas. A produção automobilística registrou queda de 18,3% nessa base comparativa. Também recuaram as produções de outros produtos químicos (-13%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (-20,5%), máquinas para escritório e equipamentos de informática (-29,7%) e borracha e plástico (-16,5%).

Ainda na relação com novembro do ano passado, somente a produção de bens de capital registrou alta (3,6%). Por outro lado, a produção de bens de consumo duráveis despencou 22,1%, seguida por bens intermediários (-7,5%) e bens de consumo semi e não-duráveis (-2,8%).

Pelo índice de difusão, o IBGE verificou que 64% dos 755 produtos investigados apresentaram queda em novembro, nível recorde desde que esse índice começou a ser investigado, em janeiro de 2003.

CIRILO JUNIOR
da Folha Online