1 de dezembro de 2008

Cooperativa de Reciclveis - Empresas param de comprar e crise chega ao setor

O munícipe Benedito Pistila chega de carro até o Núcleo Além Ponte da Cooperativa de Recicláveis de Sorocaba (Coreso) e num saco plástico entrega o lixo armazenado na sua casa nesta semana. Apesar de ser uma cena comum, a situação em si não é tão corriqueira e no fundo expõe uma realidade que ocorre nos últimos meses. Motivada pela crise no setor papeleiro que deixou de comprar papel e papelão e que piorou ainda mais com recessão mundial, a Coreso precisou cortar custos e a primeira medida emergencial foi a contenção de gastos com combustível. As saídas diárias do caminhão pelas ruas da cidade se transformaram em quinzenais e os reflexos desta estagnação crescem gradativamente mês a mês. Somente durante este período, a renda dos cooperados caiu duas vezes e o número de funcionários reduziu-se pela metade.

E este cenário teve início logo no primeiro mês deste ano, com a queda no valor do papelão. Nestes onze meses, o preço do material caiu 63% e o quilo que era vendido por R$ 0,45 em janeiro, atualmente é comercializado por apenas R$ 0,17. A situação que era crítica, já que a cadeia do papel representa 70% de tudo que é recolhido, arrecadado e vendido pela Coreso, tornou-se insuportável com a crise mundial dos últimos dois meses. De setembro para cá, segundo Rita de Cássia Gonçalves Viana, presidente do Ceadec (Centro de Estudo e Apoio ao Desenvolvimento Emprego e Cidadania), cerca de 40 cooperados se desligaram da Coreso. “De setembro para cá foram 40 cooperados, agora desde o início do ano, caiu pela metade. Tínhamos 140 cooperados em janeiro e hoje em dia temos 70”.

E para piorar ainda mais a situação das cooperativas, os outros 30% de materiais - ferro, vidro e plástico - também tiveram uma queda no valor. O preço da sucata caiu 80% de outubro para cá e o plástico 25% somente nos últimos oito dias. De acordo com Rita de Cássia Gonçalves, as empresas citam que deixaram de comprar porque as vendas do produto final também caíram. Diante disso, cria-se um círculo vicioso, as empresas não vendem, deixam de produzir e consequentemente não precisam comprar matéria-prima.

E a parte mais frágil deste ciclo acaba sendo os cooperados, uma vez que sem a venda do produto não há rendimento. Os salários que eram de R$ 600 no início do ano passaram a ser de R$ 200. Conforme explicou o presidente dos cooperados, José Augusto Rodrigues de Moraes, o rendimento dos catadores caiu substancialmente, o valor que cada um recebeu na última quinzena foi de apenas R$ 100 - que deve ser o mesmo valor a ser recebido nos próximos quinze dias, chegando num valor mensal de R$ 200. “Estamos passando um momento difícil, mas iremos sair dessa e vamos recuperar tudo isso”, apontou com esperança. Atualmente, os cinco locais de estoque da Coreso estão lotados de papel.

Wilson Gonçalves Júnior - Redação Cruzeiro do Sul – www.cruzeirodosul.inf.br