28 de Março de 2012

Setor de papel começa 2012 em baixa e busca alternativas

“Os custos da operação e das aparas enfardadas para a venda estão num patamar muito difícil. Se o produto fosse entregue de graça pelos nossos fornecedores, ainda assim não estaria valendo a pena” Essa declaração reflete a situação a que chegou o setor de aparas de papel no País. Ela foi feita por Fábio Roberto Dias Filho, diretor da Comér­cio de Papel Alto Tietê, empresa com sede na cidade de Jacareí, interior de São Paulo.

Pelo País, o sentimento de tempos difí­ceis é o mesmo. Os investimentos do setor que estavam programados para este início de 2012 foram postergados para o segundo semestre e, para superar o momento difícil, os aparistas es­tão tomando as mesmas medidas de 2008, quando a crise avançou sobre o setor. Para redu­zir custos, muitos estão demitindo funcionários e reduzindo ao máximo o número de viagens dos caminhões.

Outra saída tomada por aparistas é a prestação de serviços para empresas no geren­ciamento de resíduos. "Hoje, quem depender apenas da venda das aparas não consegue se manter no mercado por muito tempo", observa Fábio, que optou por entrar na venda de outros materiais recicláveis, como o plástico.

"Esse produto também tem os seus pro­blemas, mas, se comparado ao papel, acho que existe uma versatilidade maior no mercado e com melhores lucros", avalia. Como mostrado em outras edições da Reciclagem Moderna, nos últimos dois anos aumentou o número de apa­ristas que estão trabalhando ou migrando para o setor de plásticos.

"A situação está difícil e há várias ques­tões que precisam ser analisadas", pontua Mário Suetugui, diretor comercial da Repapel. Em sua opinião, uma delas é o volume de material que se gerou após a imensa campanha da sociedade sobre sustentabilidade.

“As pessoas e as empresas estão sepa­rando o material reciclável, mas, no caso do pa­pel pós-consumo, o que vamos fazer com ele agora?", pergunta o diretor.

Devido à situação ruim de preços, o pa­pel deixou de ser coletado por cooperativas de catadores e há papel estocado em condomínios, empresas, órgãos públicos, entre outros, como o Jornal da Tarde confirmou em uma matéria de capa do dia 11 de fevereiro de 2012.

E para resolver o problema de falta de cole­ta do material junto à população, o poder público consegue mostrar a sua total falta de visão sobre o setor de reciclagem. A Prefeitura de São Paulo, por exemplo, fala em criar mais três cooperativas na capital para dar conta do material reciclado.

"A tendência do setor de aparas é virar prestador de serviços, ou seja, ganhar dinheiro pela retirada do produto e não pela venda dele", prevê Kleber Davet, gerente administrativo da Davet Comércio de Papel Velho, com sede em Curitiba. Segundo ele, todos os tipos de aparas apresentam resultado fraco nos últimos cinco meses na região onde atua.

O preço da tonelada de aparas no País chegou aos mesmos níveis da pré-crise em algu­mas regiões (R$ 250). Para alguns aparistas, só existem duas saídas para o setor voltar a respirar: ou promove uma grande retirada de aparas do mercado; ou forma um forte grupo para promo­ver a exportação do produto.

Fonte: Revista Reciclagem Moderna – ed. 31 – ano VI – FEV/MAR/2012 – página 44