11 de novembro de 2008

Crise tambm afeta mercado de sucata

O mercado sorocabano de sucatas já sente os efeitos da crise financeira internacional. Quedas nos preços de commodities como alumínio, ferro e aço provocaram a diminuição nos ganhos do setor. Os profissionais calculam que as perdas chegam a 40%. Alguns produtos estão estocados por falta de compradores. Em outros casos, a exemplo do alumínio de primeira linha, o volume comercializado continua sendo o mesmo, no entanto, as indústrias compradoras estão pagando menos pelo produto.

Os empresários lembram que há duas semanas pagavam R$ 3,50 pelo quilo do alumínio que hoje é comprado por R$ 3,30. É uma cadeia. Se eu recebo menos pelo que eu vendo, posso oferecer menos também quando eu compro, afirma Marcelo Gonsalez, que está no ramo há 12 anos.

Proprietário de uma empresa de limpeza e compactação de metais, Gonsalez conta que vem encontrando dificuldades para revender o material comprado. O mercado está retraído, ninguém está comprando e quando compra demora a pagar, isto quando paga, fala.

O seu estabelecimento chega a comprar e comercializar 200 toneladas de metal por mês. Entre os casos de produtos que sequer encontram compradores no mercado está o aço inox. O produto é empilhado em um dos galpões da empresa do empresário. Ele afirma que são pelo menos 30 toneladas esperando algum destino. Segundo ele, seu comércio chegava a vender até 20 toneladas deste aço por mês.

Na empresa de Gonsalez são 15 empregos gerados. O empresário tenta contornar o período de dificuldades mas, de acordo com ele, se a crise continuar, muitos custos serão cortados. Eles (funcionários) percebem e estão apreensivos. Estou fazendo o possível para não demitir ninguém. mas se a crise continuar vamos ter que demitir, lamenta.

Gerdau parou de comprar

Em um depósito de sucatas da cidade, o gerente Marco Aurélio Casqué Rodrigues está entre os que lamentam o baixo movimento. Ele também foi obrigado a estocar material e afirma que a situação é causada sobretudo por conta da Gerdau que deixou de comprar sucata. De acordo com o gerente, a empresa é considerada uma das mais importantes compradoras da sucata sorocabana e avisou que não compra mais nada até o fim do mês. Eles (Gerdau) falaram que não vão comprar pelo menos até o dia 31. Este mês a gente já não recebe mais nada, diz Rodrigues lembrando que, em porcentagem o preço de revenda da sucata baixou cerca de 40% no mercado local.

A Gerdau foi procurada pela reportagem para comentar a situação, no entanto, a empresa, que divulgará resultados em 5 de novembro, não pode se manifestar por atravessar o Período de Silêncio, estipulado por lei.

Em seu depósito, Rodrigues calcula que cerca de 400 toneladas estão acumuladas à espera de um comprador. Lamentando, ele explica que boa parte deste material foi comprado com os preços antigos, que estavam mais altos. (o ganho) estava garantido e de uma hora para outra perdemos muito. Tem sucata que eu comprei a R$ 0,50 e vou vender a R$ 0,30, comenta.

Rodrigues destaca que o depósito até conta com outros compradores, no entanto, segundo ele, todos paralisaram a compra de sucata. Trabalhávamos com cerca de 1 mil a 1,2 mil toneladas por mês. Ainda não sabemos como será outubro, mas calculo uns 20% a menos, diz o gerente que está há 22 anos no ramo.

No local são 32 empregos diretos e Rodrigues adianta que não pretende realizar demissões, no entanto, como administrador, admite que se a situação perdurar, não terá fôlego para manter todos os funcionários.

Coletores também sofrem

A Cooperativa de Reciclagem de Sorocaba (Coreso) conta com 460 cooperados nos 12 municípios em que estão presentes na região. De um mês para outro os catadores que, em Sorocaba, tinham ganho mensal médio de R$ 530,00 viram seus rendimentos diminuídos e atualmente a atividade rende cerca de R$ 430,00 para cada um. A cooperativa está ligada ao Centro de Estudos e Apoio ao Desenvolvimento, Emprego e Cidadania (Ceadec), e a presidente do Ceadec, Rita de Cássia Gonçalves Viana, explica que grande parte dessas perdas foram causadas pela falta de procura pelo papel.

Segundo ela, o papel representa mais de 70% das atividades da cooperativa. As empresas dizem que não estão precisando. Tem muita oferta para pouca procura, lamenta. O interesse por papéis caiu tanto que jornais e revistas já nem estão sendo comercializados. É uma crise que o setor de reciclagens está passando, comenta.

No entanto, já prevendo os danos sociais desta situação, a cooperativa se mobiliza em outra direção e está adquirindo duas máquinas para a confecção de produtos plásticos como tubos de esgotos.

Carolina Santana

Notícia publicada na edição de 29/10/2008 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 1 do caderno C.