13 de janeiro de 2009

Plásticos recuperam demanda, mas dólar baixo causa preocupação

O temor é de que as empresas optem pelo produto virgem, tanto o nacional como o importado.

Como já acontece tradicionalmente, dependendo da região e do foco da empresa, é possível encontrar várias particularidades nas empresas profissionais de comércio de plástico reciclado. Porém, há um ponto em comum entre elas: a reativação da economia durante os últimos meses melhorou a demanda por material reciclado.

“Acho que a procura por material reciclado aumentou em 50%”, comenta Ricardo Militelli, sócio-proprietário da Fox Resinas (unidade recém-inaugurada na cidade de Sorocaba, em São Paulo, que passa a gerenciar os negócios de plástico da Fox Reciclagem). Segundo ele, dos materiais que comercializa, o único que ainda apresenta fraca recuperação é o PP.

“Trabalhamos com produtos de boa qualidade, mas sofremos muita concorrência de preço com o PP de baixíssima qualidade”, revela o sócio, que teme as sucessivas quedas do dólar. Para ele, com o dólar baixo, o plástico reciclado passa a sofrer de dois lados. Primeiro pela concorrência da resina virgem devido às quedas nas exportações e, segundo, pela maior entrada da resina importada. De acordo com Militelli, esse é um dos motivos para que o preço do reciclado não tenha acompanhado a evolução da demanda.

Alguns comerciantes de recicláveis já encontram dificuldade em atender à demanda de algumas empresas. O problema é que o consumo de reciclado, no momento, está à frente da geração de matéria-prima. “O setor de utilidades domésticas, que é o nosso forte, ainda está devagar”, avalia Judemir Macedo Melo, responsável pela área de compras e vendas da Fineplas, empresa com sede em Diadema (na Grande São Paulo).

A empresa se especializou no beneficiamento de sucata plástica pós-industrial de ABS, OS, POM, PA e PP e atua hoje com 60% da capacidade total. De acordo com Melo, no geral, todos os produtos apresentaram boa recuperação de preço a partir do segundo semestre do ano.

Rafael Pessoa, responsável pela Flexplastic (com sede na cidade de Formosa/GO) também acredita que o mercado está em crescimento e acha que todos os plásticos, em geral, já apresentam recuperação. “Com a crise mundial, as vendas do material reciclado tiveram uma queda muito grande no seu valor de comercialização, mas não tivemos queda nos pedidos”, avalia.

Na cidade de Belo Horizonte, o fluxo de material na empresa S.AL Reciclagem tem sido maior no PEAD, mas, no geral, o mercado é considerado lento pelo sócio-proprietário André Luiz Barbosa Mello. Sua empresa atua em uma das fases da reciclagem de plásticos de grande oferta de material, mas de baixo valor agregado: a triagem. “Perdemos bastante tempo com a separação. Os fretes para São Paulo são muito caros e grandes empresas ditam o preço do material.”

Para amenizar os problemas, Mello disse que a S.AL vai focar suas ações nos plásticos de engenharia. “Existem rejeitos de ABS pós-industrial na região e falta de mão de obra qualificada para beneficiá-lo.” A S.AL Reciclagem é parceira de empresas de reciclagem de plásticos situadas no Chile, EUA, Argentina e México. Por isso, um dos objetivos da S.AL para ganhar flexibilidade nos negócios é desenvolver um fluxo de exportação e importação de plástico.

Em Jaboatão dos Guararapes (região metropolitana do Recife) funciona a Frompet, que, como mostra o próprio nome, é focada no comércio de PET. O diretor, Marcelo Guerra, é ouro que esboça preocupação com a queda do dólar. “A valorização do real aperta a margem de participação do reciclado”, pontua.

Segundo ele, que compra flakes e garrafas, a arrecadação de material já se normalizou e a Frompet opera com 100% da capacidade. Entretanto, em virtude da forte que no final de 2008n e inicio de 209, a empresa não deverá apresentar crescimento na produção. A recuperação sentida pela empresa já possibilitou, pelo menos, repassar aumento de preço para os fornecedores.

Fonte: Revista Reciclagem Moderna – ed. 18 – ano IV – NOV/DEZ/2009 – pag. 54 – setorial / plástico – reportagem de Sérgio Vieira