4 de agosto de 2009

Altos e baixos dos comerciantes de plásticos

Algumas resinas secundárias possuem comercialização travada, outras nem tanto.

Durante os meses de abril e maio de 2009, a comercialização de plástico reciclado tem tomado caminhos distintos conforme o tipo de matéria-prima. Enquanto alguns materiais se mantiveram estáveis, outros ainda sofrem as conseqüências da crise mundial e há aqueles que passaram sem alterações de demanda. Percebe-se também que o mesmo material é objeto de pontos de vista diferente de acordo com a região e foco de atuação das empresas.

“Desde o início do ano, o preço dos materiais baixou de 10% a 20%”, comenta Amauri Alvarez, gerente de compras da Clean PET, empresa com sede em Vargem Grande Paulista (região metropolitana de São Paulo) com foco 100% no PET. Na parte de fluxo de material, apesar de não conseguir quantificar, ele acredita que houve queda no início do ano, mas o mesmo voltou a crescer no final do mês de maio, criando certo clima de estabilidade.

Esse estado de equilíbrio aparente também atingiu as empresas do Rio de janeiro. A Faria Plásticos (de Duque de Caxias, região metropolitana da capital fluminense) sentiu um retomada de 20% na movimentação e preço das sucatas plásticas no mês de maio, após ter registrado queda de 50% nos negócios no primeiro quadrimestre de 2009.
“Alguns materiais estão com saída difícil, outros estabilizaram”, disse o diretor Rodrigo Barroso Pinheiro de Faria. Segundo ele, o PET e PEAD (polietileno de alta densidade) apresentaram um equilíbrio de compra de venda no mês de maio. Já o PP – polipropileno (colorido e branco) – apresenta dificuldades para venda.

Na Fox Reciclagem (com sede em Itu, distante 90 km da capital paulista), o foco também está em vários tipos de plástico (com exceção do PET). De acordo com o analista administrativo Bruno Rolim Loureiro Militelli, antes de a crise afetar o mercado, faltava material para atender alguns clientes. “Agora, temos de correr atrás de novos clientes para oferecer o produto”, comenta.

Segundo ele, dentro da área de plásticos, o PP, o PE (polietileno de baixa e alta densidade) e o PS (poliestireno) são os plásticos que tiveram a maior queda de demanda e de preço (até 50%). Dentre os citados, o PP de cor preta (de maior disponibilidade no mercado) chegou a apresentar queda de preço e demanda acima de 50%.

Na opinião de Militelli, o problema para a comercialização de algumas resinas secundárias é que quando comparadas como o preço do produto virgem, a diferença foi reduzida nos últimos meses. Dessa forma, parte dos consumidores de plástico migrou para a compra da resina virgem. “Historicamente, a diferença de preço sempre foi em torno de 40%”, observa.

Outros plásticos, entretanto, foram menos afetados pela crise e continuam com boa saída e diferença de preço do material virgem. É o caso do poliacetal (POM), da poliamida (PA) e do acrílico (PMMA). “Esses produtos têm um bom valor agregado” disse Militelli. Entretanto, ele reclama que os vendedores da empresa não estão conseguindo a mesma “base de negociação” que possuíam antes da crise. Em 2008 havia uma média de preço conhecida no mercado para o POM, a PA e o PMMA. Hoje, com a retração da economia mundial, a média para esses materiais desapareceu do mercado. O plástico reciclado é responsável por 30% dos negócios da Fox Reciclagem, a maior parte está voltada para o papel.

Já na Plastpel (com sede em Mauá, no ABC paulista), em conseqüência da queda de geração de resíduos industriais, as retiradas de polietileno “pós-industrial” em uma multinacional passaram de duas vezes por semana para cada dez dias. “Reduzimos o nosso estoque em 40%”, comenta Edson Turino, proprietário da empresa. Segundo ele, a estratégia adotada foi pagar fornecedores somente quando houver o recebimento dos clientes.

A 60 km de Mauá funciona a JVR, que também possui foco no polietileno, mas trabalha apenas com o material pós-consumo. Nos últimos dois meses, a empresa sofreu com a queda de pedidos do seu único cliente, mas está sendo procurada por novos compradores.

“Precisamos primeiro investir em tecnologia para aumentar a nossa capacidade”, revela a proprietária Jacineide Jesus Silva. A empresa acabou de adquirir um novo moinho e, agora, pensa em partir para uma máquina extratora de rótulos de embalagens.

No Sul do País, o ritmo de comércio do PP e do PE caiu no início do ano, mas se manteve estável durante os meses de abril e maio, segundo avaliação de Elisângela Menezes Decarlli, proprietária da Polidec (coronel Vivida (PR) – 400 km de Curitiba).

Com 50% dos negócios voltados para a área de plásticos, a Polidec foi uma das empresas na área de reciclagem que sentiu menos o impacto da crise mundial. O motivo é que há cerca de um ano, a empresa deixou de ser apenas um comerciante de polímeros secundários e passou a injetar suas próprias peças com foco no consumidor residencial. Dessa for, foi agregado à empresa mais uma fonte de renda. “O mercado de injeção apresentou um pouco de crescimento”, disse Decarlli.

Fonte: Revista Reciclagem Moderna – ed. 16 – ano IV – MAI/JUN/2009 – pag. 53 – reportagem de Sérgio Vieira