23 de março de 2009

Setor de reciclagem espera apoio do governo para manter empregos

Brasília - Em janeiro deste ano, as grandes montadoras empregavam 126.188 trabalhadores, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Entre outras razões, elas conseguiram manter esses postos de trabalho graças à decisão do governo federal de reduzir o Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) na venda de veículos. A exemplo da indústria automobilística, o setor de reciclagem também espera receber apoio do governo para manter o atual número de emprego. De acordo com o Compromisso Empresarial pela Reciclagem (Cempre), o mercado de resíduos sólidos emprega 800 mil catadores em todo o país.

O perfil dos trabalhadores do setor de reciclagem é de difícil empregabilidade em outros setores. “Tenho aqui jovens analfabetos, idosos, gente que veio do interior [ só conhecem a lavoura] e até mesmo pessoas em liberdade condicional”, diz Sandra Regina Castela, tesoureira da Cooperativa de Coleta Seletiva da Capela do Socorro, em São Paulo, ao falar sobre a expectativa do segmento de receber apoio do governo para manter o nível de emprego.

Para o economista Pedro Zuchi, professor do Centro de Estudos em Economia e Meio Ambiente da Universidade de Brasília (Cema/UnB), o setor da reciclagem é fundamental para a sociedade. Além da capacidade de absorver trabalhadores com menor qualificação e de baixa escolaridade, destaca Zucchi, ele também contribui para a sociedade crescer de forma mais equilibrada, destaca.

O economista avalia que é preciso reavaliar as estratégias governamentais de incentivo tributário. “A gente precisa rever qual a importância de geração de mais monóxido de carbono, de mais veículos no mercado. A indústria automobilística leva, mas os pequenos não conseguem acessar [os incentivos fiscais]”.

A opinião do acadêmico é compartilhada pelas pessoas que trabalham no setor. Ed Paulo Leonaldo Gomes, que compra, beneficia e revende material reciclável, afirma que costuma ser bitributado quando vende a mercadoria para fora do Distrito Federal. “Quem deveria ser isento de impostos é o setor de reciclagem, porque emprega muita gente e ainda contribui com o meio ambiente.”

Desde de 1991, tramita na Câmara dos Deputados projeto de lei para regulamentar as atividades de reciclagem. No ano passado, um grupo de trabalho consegui elaborar uma versão preliminar da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Apesar do avanço nas discussões, o texto aguarda iniciativa parlamentar e governamental para ser encaminhado definitivamente à votação.

Gilberto Costa - Agência Brasil